FAVELA É UMA M3RDA SIM!
Trecho de entrevista em que Renan debate a relação entre favela e identidade cultural, rejeitando o argumento de que a desfavelização destruiria a cultura popular.
O argumento do entrevistador e a resposta de Renan
O entrevistador sustenta que a identidade cultural brasileira nasce da favela e pergunta como a desfavelização preservaria essa cultura. Renan discorda “peremptoriamente”:
“A cultura que sai da favela serve para justificar o sistema de relações em que o crime manda nas pessoas.”
Distingue entre quilombo e favela: o samba paulistano (citando Adoniran Barbosa e o Vai-Vai) surgiu de quilombos e bairros pobres, não de favelas. Para Renan, “bairro pobre” é diferente de favela — a diferença está na presença do crime organizado e na ausência do Estado.
O argumento sobre Cartola e a Mangueira
Renan admira Cartola, mas rejeita o raciocínio que usa sua existência para justificar a favela:
“A existência do Cartola justifica a existência de um arranjo urbanístico em que milhões de pessoas vivem sem esgoto, controlados pelo crime organizado? Não.”
Argrega: a própria Mangueira trabalha para bicheiros, e o carnaval do Rio tem relação histórica com o crime organizado.
A cultura de massa da favela hoje
Para Renan, a arte de massa que sai das favelas hoje não é Cartola — é o funk que “exalta o crime organizado” e objetifica a mulher. Cita exemplos de MCs que fazem isso.
O programa de desfavelização
Renan menciona o custo: R$ 900 bilhões para acabar com o “modelo arquitetônico e urbanístico fracassado”. O objetivo é tornar as favelas lugares onde o Estado está presente e os moradores se sentem parte da cidade — rompendo o ciclo em que qualquer expressão cultural termina ligada ao estado paralelo do crime.
