MALAFAIA PEDE AJUDA PARA COMPRAR JATINHO
Short que comenta a declaração do pastor Silas Malafaia pedindo aos fiéis apoio para trocar o avião da Associação Vitória em Cristo. O vídeo exibe um trecho em que o pastor diz que o avião “foi comprado em 2009”, que ele “precisava de uma ferramenta, não para passear com a família, mas para trabalho”, e que está “orando a Deus para abrir portas” para um avião mais novo.
A postura de Renan
Renan abre dizendo que “não há nada de ilegal” no pedido: “as pessoas podem doar voluntariamente à instituição dele, que é a igreja, e a igreja pode fazer uso de um jatinho para que ele se locomova com mais agilidade”. O questionamento é de conveniência, não de legalidade, e formula-se na citação bíblica:
“Tudo me é lícito, mas isso me convém?”
Argumenta que não é conveniente para uma liderança religiosa sair pedindo para comprar um jatinho — “ainda mais num país em que André Valadão, que foi defendido inclusive pelo Silas Malafaia, está agora sendo praticamente denunciado pela CPMI do INSS pela sua participação estranha no escândalo”. Menciona Valadão “voando de helicóptero para levar, segundo ele, as preces dos fiéis mais para perto de Deus”.
O estereótipo e a igreja “de base”
Renan afirma que esse tipo de comportamento gera um estereótipo negativo sobre lideranças evangélicas e passa a ideia de que “essas pessoas abusam da boa-fé dos fiéis e levam vantagens financeiras sobre eles”. Em contraponto, cita denominações que não entrariam nesse retrato, fazendo um trabalho de base sério:
- Congregação Cristã do Brasil
- Igreja Presbiteriana
- Muitos ramos da Assembleia de Deus
- “Muitas igrejas que não são famosas, mas estão fazendo seu trabalho de célula nos bairros”.
Generaliza: “assim como não se pode avaliar todas as igrejas pelas mais famosas, não se pode avaliar quase tudo no Brasil com base nas figuras mais destacadas”. E estende o ponto à direita: “aqui no Brasil nós temos muitas lideranças de direita. A maior parte não presta, abusa intelectualmente dos seus seguidores — mas existem pessoas boas que não estão no topo, fazendo um trabalho sério”.
A citação de Rui Barbosa
Renan lê uma passagem atribuída a Rui Barbosa, do começo do século XX:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
Usa o texto como chave do seu projeto político: “não tenha vergonha de ser honesto. Os honestos, a maioria silenciosa que não está no topo, hão de vencer”. Diz querer “regimentar exércitos de honestos — evangélicos honestos, católicos honestos, pessoas de direita honestas, pessoas não politizadas honestas, trabalhadores honestos — todos juntos”.
Temas
- Crítica à Direita Tradicional — “a maior parte das lideranças de direita não presta”.
- Escândalo Banco Master — menção lateral à CPMI do INSS e ao caso Valadão.