400 milhões pra Camaçari???
Short em que Renan Santos, a partir de uma frase confusa de Lula anunciando “400 milhões para a cultura em Camaçari”, desenvolve uma crítica estrutural ao modelo de desenvolvimento da cidade e à presença industrial chinesa no Brasil.
Resumo
O modelo de Camaçari
Camaçari (BA) tem o maior PIB per capita do Nordeste — maior em termos nominais, segundo Renan, que o de Campinas (SP). Ao mesmo tempo, a maior parte da população vive em pobreza, depende do Bolsa Família, tem baixos indicadores educacionais e é alvo sistemático de compra de votos em período eleitoral.
A explicação, para Renan: a riqueza se concentra em poucas mãos ligadas à indústria química e, agora, ao setor automotivo chinês. A antiga Ford, instalada nos anos 1990, foi substituída pela BYD. A população “mal acostumada pelo petismo” fez tantas greves contra os chineses que os empregos acabaram indo para trabalhadores trazidos da própria China — cerca de 4 mil funcionários alojados em uma “cidade” de 5 prédios construída para eles.
A crítica à estratégia chinesa
Renan acusa a China de aplicar em Camaçari “a mesma estratégia que usa na África”: criar uma elite local comprada, ligada ao governo petista, enquanto a população original permanece na pobreza. O modelo resultante:
Chineses geram renda para eles mesmos → governo petista fica milionário → governo petista garante a “mamata da BYD” → população local vive de Bolsa Família.
O prefeito
Luiz Caetano, prefeito de Camaçari, já foi acusado de corrupção, afastado do mandato, preso, voltou e foi reeleito em 2024 — está no quarto mandato, segundo Renan, “comprando o voto da população mais carente”.
A posição de Renan
Renan esclarece que sua crítica não é étnica ou cultural (“não tenho nada contra o chinês”), mas ao modelo: quer uma industrialização “de verdade” no Nordeste, não a “ficção” que fortalece politicamente o PT.