Agronegócio e Matopiba

Durante a viagem de pré-campanha pelo Maranhão em abril de 2026, Renan Santos apresenta o Matopiba — a região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia — como o principal eixo de desenvolvimento que propõe para o Nordeste. O agronegócio aparece nos vídeos não como pauta setorial, mas como resposta estrutural aos problemas de pobreza, dependência de transferências federais e compra de votos no interior.

A tese

Renan argumenta que, dentro do próprio Maranhão, o sul agrícola já tem PIB per capita muito maior que o norte, onde está a capital São Luís. A produção de milho no sul alimenta três cadeias simultaneamente: etanol (combustível), ração animal (queijo, leite, carne, frango) e, potencialmente, biodiesel. É a partir desse milho — diz ele — que “acaba o Bolsa Família” e “as pessoas saem da dependência do Estado”.

A refinaria da Inpasa em Balsas

Em Balsas (MA), Renan mostra a refinaria da Inpasa, que transforma milho em etanol exportado pelo Porto de Itaqui para os Estados Unidos, e também consumido internamente. Usa o caso como prova de que o modelo funciona na prática:

“Combustível é moeda global. (…) Preços mais baratos na bomba, menos dependência do petróleo internacional e maior autonomia para os motoristas.”

Destaca também o salto em empregos de química fina — “altíssima qualidade” — e defende que o “livro amarelo” do MBL já traz a instalação de refinarias na região como política estratégica.

As duas estratégias propostas

  1. Avanço da fronteira agrícola do sul para o centro e norte do Maranhão, até as proximidades de São Luís.
  2. Atração de indústria de transformação que se aproprie dessa matéria-prima, gerando empregos qualificados, complexidade urbana e classe média.

Agro de alto valor agregado: a vinícola de São Joaquim (SC) (abril de 2026)

Em 24 de abril de 2026, Renan visita a Fazenda Suzin em São Joaquim (SC) — produtora de uva savinho blanco que fabrica o vinho Monteputiano Suzin (mais de R$ 230/garrafa). Usa o caso como exemplo de agro com alto valor agregado: diferente de commodities exportadas brutas, a uva é transformada em produto com marca, alto preço e mercado interno e externo.

Os obstáculos relatados pelo produtor:

  • O governo cobra mais imposto para produzir vinho no Brasil do que para importar de outros países — retirando competitividade do produto nacional.
  • Leis trabalhistas “absurdas” e perseguição do Ministério Público do Trabalho.
  • Falta de estradas e escoamento.

A tese: agroindústria de qualidade — com processamento, marca e exportação — gera emprego, renda e complexidade econômica. Renan usa o caso para criticar o discurso que trata o agro como “fácil” ou como privilégio de “multimilionários”.

Ver 2026-04-24 - Essa vinícola vai te mostrar todo o potencial do agro e Carga Tributária.

Condições necessárias

Renan enumera como pré-requisitos:

  • Segurança jurídica e crédito para o agricultor.
  • Estradas e ferrovias de qualidade — conectando com Infraestrutura e Estradas no Maranhão.
  • Boa administração do Porto de Itaqui para exportação.

Contraponto: a “industrialização sem indústria” de Camaçari

No mesmo período, Renan critica Camaçari (BA) como exemplo do modelo oposto: industrialização pilotada pelo governo petista com a BYD, em que os empregos são preenchidos por trabalhadores chineses trazidos em contêineres, enquanto a população local segue pobre e dependente do Bolsa Família. Ver 2026-04-08 - 400 milhões pra Camaçari.

A dependência externa de fertilizantes

Em vídeo de 5 de abril de 2026, Renan articula o que considera o flanco mais frágil do agro brasileiro: a dependência de importação de fosfato e potássio, num cenário em que Rússia, Irã, China e Oriente Médio concentram a produção mundial de fertilizantes. Com os conflitos na região, prevê meses críticos para o agro. A solução é nacional — abrir a exploração das reservas brasileiras no Ceará e na Amazônia — e depende de enfrentar as ONGs ambientais que bloqueiam o licenciamento. Ver 2026-04-05 - O agro brasileiro pode quebrar.

A Ferrogrão como gargalo logístico

Renan trata a Ferrogrão, paralisada no STF, como o outro gargalo crítico do agro. Oferece números: redução de 40% no frete, economia de R$ 8 bilhões ao ano, 100 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A paralisação é atribuída a uma aliança entre PSOL, ONGs ambientalistas e “lobby gringo”. Ver 2026-04-07 - A ferrogrão está sendo sabotada e 2026-04-12 - Por que o PSOL é contra a ferrogrão.

Hidrovias bloqueadas: caminhoneiros presos por 8 dias

Em fevereiro de 2026 — antes da viagem ao Maranhão —, Renan já havia documentado um episódio que considera “sabotagem direta ao agro”. Um grupo indígena articulado pelo PSOL e financiado por ONG estrangeira invadiu instalações da Cargill na região norte, bloqueando a passagem de caminhões e impedindo o escoamento da produção agrícola. Resultado: 8 dias de caminhoneiros presos sem comida, carga perdida.

Após o protesto, o governo Lula emitiu decreto proibindo o uso da hidrovia em questão, obrigando os produtores a percorrer distâncias muito maiores por estradas esburacadas.

“No meu governo vai ter hidrovia em todos esses rios. E nós vamos escoar a produção do nosso agro pro mundo inteiro. E vagabundo europeu não vai interferir na nossa soberania.”

Ver 2026-02-25 - ÍNDIOS E PICARETAS DO PSOL ESTÃO SABOTANDO OS CAMINHONEIROS NA REGIÃO NORTE e Soberania Nacional e ONGs Estrangeiras.

Fontes