Terras Raras e Transferência Tecnológica

Renan Santos propõe usar as reservas brasileiras de terras raras — que ele situa como a segunda maior do mundo, com cerca de 20% do total — como alavanca para industrializar o país e obter transferência de tecnologia, em vez de exportar minério bruto.

A proposta em detalhe (setembro de 2026)

Em 12 de setembro de 2026, Renan detalha a proposta. O ponto de partida é que, embora as terras raras sejam abundantes, sua extração é difícil e a concentração dispersa; e o processamento mundial está concentrado na China, com mais de 90% do total — o que deixa os Estados Unidos “totalmente dependentes do fornecimento chinês”. Como o Brasil detém a segunda maior reserva, Renan trata o problema americano como “uma solução para nós brasileiros”.

Os elementos concretos da proposta:

  1. Reformas de competitividade para tornar “produzir aqui mais fácil e competitivo”.
  2. Não exportar matéria-prima — “nós não vamos tratar terra rara como pau-brasil”.
  3. Extrair e processar no Brasil, com transferência tecnológica “não só dos Estados Unidos, mas de outras nações para empresas brasileiras”.
  4. Construção da cadeia industrial em território nacional por meio de tratados internacionais: “ímãs, baterias, equipamentos militares e depois inclusive carros elétricos feitos no Brasil”.
  5. Diversificação de parceiros — EUA, Japão, Taiwan (semicondutores), Índia e Europa —, posicionando o Brasil como ponto de uma “cadeia industrial global” capaz de “concorrer com a China”.
  6. Fortalecimento militar associado — o projeto fomentaria “uma indústria bélica de ponta”, fazendo o Brasil “se tornar uma potência”.

Renan resume a exigência feita às nações desenvolvidas: “Construam o seu parque ligado a terras raras em nosso território. E o Brasil assim será um grande parceiro.” Ele diz ainda que o Brasil pode usar as terras raras “como um atalho histórico para recuperar o tempo perdido após décadas de PT”.

Ver 2026-09-12 - Minhas proposta sobre Terras raras.

Histórico da posição

A proposta de 2026 consolida uma linha defendida desde o início do ano, sempre com o mesmo núcleo — não exportar minério bruto e exigir cadeia produtiva e tecnologia em troca:

  • 21 e 23 de maio de 2026 — na Marcha dos Prefeitos e na Sabatina Esfera, propõe marco regulatório que obrigue a construir a cadeia no Brasil, do mineral ao ímã e à bateria, com parcerias com EUA, Taiwan e Japão; cita o projeto MAGBRAS. Ver Ambição Nacional e Soberania Tecnológica.
  • 2 de maio de 2026 — denuncia a exportação de disprósio quase bruto e propõe reforma de competitividade e empresas mistas (brasileiros + estrangeiros) para produzir também drones, equipamentos laser, semicondutores e motores elétricos. Ver 2026-05-02 - Tão roubando o seu disprósio!.
  • 20 de abril de 2026 — diante da venda da mina Serra Verde, propõe obrigar que fabricantes de ímãs, motores especiais, semicondutores e indústria bélica se instalem no Brasil como condição para a venda dos recursos. Ver 2026-04-20 - O Brasil acaba de vender uma mina de terras raras!.
  • 27 de abril de 2026 — usa as terras raras como moeda geopolítica para obter tecnologia bélica e de semicondutores. Ver 2026-04-27 - Nenhum outro pré-candidato fala isso.

Relação com outros temas

A posição articula-se a Ambição Nacional e Soberania Tecnológica, Política Externa e Geopolítica, Programa Nuclear Brasileiro e ao contraste com a Crítica à Direita Tradicional — Renan acusa Lula de “lamb[er] o chão da China” e Flávio Bolsonaro de submissão aos EUA, apresentando-se como terceira via.

Fontes