Eles que estão cruzando linhas

Em 13 de setembro de 2026, em trecho de entrevista, Renan Santos é confrontado com a acusação de que descumprir decisões do Supremo seria “um comportamento antidemocrático”. O entrevistador cita uma declaração sua — “Se eu for eleito, algumas decisões do Supremo, eu não vou cumprir” — e pergunta se isso não seria antidemocrático. A resposta de Renan é: “Não, de maneira alguma.”

Renan sustenta a resposta em dois argumentos. O primeiro é o precedente: “Já houve descumprimentos anteriores” e haveria “um julgado do próprio STF de 96” — referência ao princípio de que decisão ilegal não se cumpre. (A transcrição automática registra a frase de forma corrompida — “decisão legal não se incumpre” —, mas a formulação que Renan repete em outros vídeos seus é “decisão ilegal não se cumpre”; ver STF e Ativismo Judicial.)

O segundo argumento é que o país não vive uma normalidade institucional: “eu não creio que nós estamos vivendo um regime democrático republicano normal”. Renan afirma que “o STF vem se comportando de maneira anômala há muito tempo” e atribui a anomalia a “interesses econômicos de proteção deles” e ao “envolvimento dos ministros do STF em escândalo de corrupção e dos seus aliados da política”.

Nesse ponto, Renan recusa a legitimidade de dois ministros nominalmente: “Eu não vejo legitimidade no Alexandre de Moraes [e] no Dias Toffoli”. (A transcrição gráfa o nome de forma corrompida — “Diastofol” — registrado aqui como Dias Toffoli.) Ele completa: “Para mim, eles [não] são ministros”. Renan descreve ministros como “bandidos aqui que fazem negócio, estão recebendo dinheiro, que estão usando inquéritos como instrumentos de barganha” e afirma: “Eu não vou aceitar.”

A posição declarada para um eventual governo é explícita: “Se eu ganhar a eleição, eu não vou tratar uma decisão que vem do Toffoli e do Alexandre como aceitáveis”. Renan rejeita a objeção de que estaria rompendo a institucionalidade, invertendo o argumento: “Alguém tá acusando a linha da institucionalidade? Hoje o STF está [cruzando] essas linhas.” Para ele, tratar como institucional uma decisão que vem de ministros que considera não legítimos seria “entrar na loucura (…) de fingir que uma decisão que vem do Alexandre de Moraes hoje ela é institucional, que ela tem rigor formal”. O fecho resume: “Isso é só jogo de poder. Isso aqui é uma orgia institucional que eles estão fazendo.”

Temas abordados

  • STF e Ativismo Judicial — recusa de cumprir decisões de Moraes e Toffoli; “decisão ilegal não se cumpre”; “orgia institucional”
  • Judiciário e Supersalários — ministros como “bandidos” que “recebem dinheiro” e usam inquéritos como barganha

Posições defendidas

  • Não tratar como aceitáveis decisões de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em um eventual governo
  • Rejeição da acusação de antidemocracia, com o argumento de que é o próprio STF que “está cruzando as linhas” da institucionalidade

Pessoas mencionadas

  • Alexandre de Moraes — “não vejo legitimidade”; decisão “não é institucional”, “é só jogo de poder”
  • Dias Toffoli — citado ao lado de Moraes como ministro sem legitimidade na avaliação de Renan (nome corrompido na transcrição)

Fonte