Renan Santos sustenta que o livro amarelo — seu programa de governo — é composto de propostas universais, feitas “para brasileiros”, e não de pacotes segmentados por gênero, raça ou etnia. A posição foi formalizada na esteira de uma série de entrevistas em que lhe foi dito que ele “não tem propostas para as mulheres”.

”Não vou escolher só um recorte”: feminicídio e a recusa do tema único (setembro de 2026)

Em 11 de setembro de 2026, em entrevista, Renan aplica a lógica das propostas universais ao debate do feminicídio. Diz que “o que eu não vou fazer é escolher só um recorte”: falará do feminicídio “só que de todo tipo de morte de brasileiro, todo tipo de violência”. Na sua formulação, a eleição “é só para falar sobre violência contra a mulher que existe, que tem que ser combatida, mas que não é toda a violência que existe” — e conclui que “a minoria escolhida não foi vocês para essa eleição”. Ver 2026-09-11 - Minha opinião sobre os feminicídios e Pautas Identitárias e de Gênero.

”Eu tô fazendo propostas para brasileiros” (setembro de 2026)

Em 8 de setembro de 2026, respondendo na Jovem Pan e na Globo/GloboNews, Renan rebate o enquadramento: “nós temos que parar com essa pataquada, dizer assim: ‘agora vou fazer uma proposta só para negro, uma proposta só para índio, uma proposta só para mulher’. Eu tô fazendo propostas para brasileiros”. Ele argumenta que, “quando você traz soluções para brasileiros, você afeta todos eles” — e que as mulheres, “como são maioria, serão as pessoas mais afetadas positivamente pelas minhas propostas”.

O argumento implícito que Renan ataca é o de que mulheres e negros precisariam de um marcador de destino: “achar que mulher é uma completa idiota ou que um negro é idiota, eu tenho que escrever: ‘ó, isso aqui é para você que é negro’ (…) o negro ele não faz parte da universalidade humana, ou a mulher não é um ser humano completo”. Ver 2026-09-08 - Não tenho propostas para as mulheres e 2026-09-08 - Fui cancelado por não ter propostas para mulheres.

”O livro amarelo não precisa ser pintado de rosa”

Renan resume a posição numa fórmula própria: “o meu livro de propostas, o livro amarelo, não precisa ser pintado de rosa. Ele é um livro sobre mulheres, mulheres brasileiras”. Em vídeo de resposta, ele enumera por que considera que suas propostas alcançam as mulheres: quem “cuida e administra renda das casas no Brasil” são majoritariamente mulheres; falar de segurança pública é falar “da segurança das mulheres”; e “quem mais ingressa no ensino superior no Brasil são mulheres”. Ver Partido Missão e Propostas para Educação.

A “particularidade” e a recusa dos gestos simbólicos

Renan admite espaço para políticas específicas, mas as situa no detalhe: “na particularidade, você pode, de maneira particular, no detalhe, atuar com uma política específica pra mulher, mas é na particularidade. Um livro de propostas, ele tem que trazer propostas para todos”. Ele rejeita explicitamente as respostas simbólicas que atribui ao campo adversário — “vou colocar quatro ministras do STF” ou “quatro ministros negros” — classificando-as como “livro de propaganda”, e ironiza que seu problema nas pesquisas “não é nem de gênero, é de idade”. Ver Propostas para o STF e Pautas Identitárias e de Gênero.

Antecedentes

Em 7 de setembro de 2026, Renan já havia respondido à crítica de que sua campanha não teria propostas para mulheres afirmando que “todas as nossas propostas são para mulheres” e recusando o “populismo eleitoral” de prometer “quatro ministras mulheres no STF” ou “um ministeriado que tem 60% de mulheres”. Ver 2026-09-07 - E essa reação das mulheres 💪🏻💪🏻.

Fontes