Propostas para a Educação
Renan apresentou sete propostas para a educação brasileira, com ênfase em meritocracia, ensino técnico e corte de gastos ineficientes. O ponto de partida: “Nossas crianças saem do ensino básico sem saber escrever.”
As 7 propostas
1. Simplificar o currículo nacional. Retorno ao método fônico, foco em alfabetização e operações básicas de matemática, provões com critérios objetivos de avaliação. Corte do “conteúdo ideológico” do currículo. “Bora fazer o básico, como a maior parte dos países sérios fazem.”
2. Contrato de performance para diretores de escola pública. Diretores com melhor desempenho em avaliações objetivas recebem bônus salarial, e a escola ganha mais recursos. Modelo já comum na iniciativa privada.
3. Universalização do ensino técnico. Inspirado no modelo alemão: formação técnica valorizada, rápida e barata. Profissionais técnicos bem formados “ganham muito mais do que os brasileiros”. As escolas técnicas federais existentes (que formam alguns dos melhores profissionais do Brasil) seriam ampliadas. Universidades federais gigantes que “não geram nada de útil” perderiam recursos em favor do técnico.
4. Escolas polo para os melhores alunos. Provões nacionais identificariam os melhores alunos da escola pública. Vagas em “super escolas polo” em cada estado para treiná-los para vestibulares e ensino técnico de elite. Renan afirma que essa medida “vai acabar com as cotas no Brasil” — porque formará alunos capazes de competir sem auxílio.
5. Voucher para escolas privadas de elite. Enquanto as escolas polo não estiverem construídas: os melhores alunos da rede pública recebem pagamento de mensalidade em escola privada de elite, alojamento e pequena bolsa. Objetivo: permitir que o jovem conviva com pessoas de classe superior e concorra em igualdade de condições no vestibular.
6. Cortar renúncia fiscal para faculdades de baixa qualidade. O Brasil gasta cerca de R$ 20 milhões por ano em renúncia fiscal para faculdades que formam “massa de analfabetos funcionais com diploma que de nada serve.”
7. Bolsa empreendedor para os melhores alunos do Enem. Os melhores alunos do Enem recebem investimento para abrir startup e acesso a incubadora. “Eu quero viver num país em que os melhores alunos não vão prestar concurso — eles vão abrir startup.”
Universidades públicas: fim da autonomia e jubilamento de grevistas (maio de 2026)
Em 13 de maio de 2026, Renan critica a greve de estudantes da USP e propõe três medidas para universidades públicas:
1. Fim da autonomia universitária. Todo paulista paga cerca de R$ 180/ano para sustentar a USP. Renan propõe que o repasse seja vinculado a metas de desempenho da universidade (pesquisa, extensão) e dos estudantes individualmente.
2. Jubilamento de aluno que faz greve. Não existe na lei “greve de beneficiário de serviço público”. Aluno que faz greve é jubilado automaticamente.
3. Criação de endowments universitários. Fundos de investimento formados por ex-alunos, no modelo americano, para financiar pesquisa e estrutura — reduzindo a dependência do repasse público.
Contexto do anúncio: a greve de 28 dias custou R$ 643 milhões aos contribuintes paulistas (orçamento de R$ 9 bilhões/ano, paralisação 1/12 do ano). Com esse valor seria possível contratar 5.000 policiais, construir 3.000 moradias ou pagar 500 mil meses de auxílio moradia. A reivindicação era aumento do auxílio de permanência para R$ 800/mês — um salário mínimo paulista.
Ver 2026-05-13 - O que os estudantes da USP fizeram.
Escolas militares e a conexão com ausência paterna (outubro de 2025)
Em 2 de outubro de 2025, Renan defende as escolas militares como modelo para o sistema público de ensino. O argumento combina três elementos:
- Método fônico: as escolas militares ensinam por método fônico — o mesmo que Renan defende como padrão nacional — o que explica o desempenho superior de seus alunos nas avaliações.
- Disciplina e estrutura: o modelo militar fornece a disciplina e o senso de responsabilidade que muitas famílias não conseguem oferecer.
- Ausência paterna como causa do crime: Renan cita um estudo da FGV de 2007 que identificou a ausência do pai como um dos principais fatores preditivos de envolvimento com o crime. Para Renan, as escolas militares funcionam como substituto estrutural para a figura paterna ausente.
“A ausência do pai em casa é uma das maiores causas de crime. A escola militar compensa isso com disciplina, hierarquia e referência masculina.”
Ver 2025-10-02 - Você também é a favor de escolas militares e Família e Paternidade.
Abolição de todas as cotas como consequência da proposta (janeiro de 2026)
Em 27 de janeiro de 2026, Renan conecta explicitamente o fim das cotas à implementação das escolas polo:
“No meu governo, todas as cotas vão acabar: seja a cota racial, seja a cota para trans, seja a cota para índio e até a cota social que muita gente na direita defende.”
O argumento: as escolas polo (proposta 4) formarão alunos de escola pública capazes de concorrer “mano a mano com alunos de classes sociais diferentes” — eliminando a justificativa das cotas sem apelar para privilégios de grupo. Caso concreto citado: Duda Odara, aprovada para medicina na UERJ na posição 1243 com nota de química de 6,25/20 — por conta das cotas racial e trans.
Ver Pautas Identitárias e de Gênero e 2026-01-27 - TRANS APROVADA EM CONCURSO ESTAVA NA POSIÇÃO 1243.
Salas separadas para alunos autistas e revisão do BPC (maio de 2026)
Em 9 e 10 de maio de 2026, Renan acrescenta uma nova dimensão à política educacional: a crítica à inclusão escolar forçada de autistas.
A posição: crianças autistas com necessidades especiais devem ter salas separadas em escolas especiais, não ser obrigadas a conviver em salas comuns com crianças neurotípicas. O resultado da política atual — baseada na Lei Berenice Piana (2012) — é, segundo Renan: autistas sofrem bullying em taxa maior, professores entram em burnout e o desempenho de todos piora.
A crítica adicional: a lei abriu mercado para laudos falsos de autismo que permitem acesso ao BPC e a isenções fiscais. “No meu governo, vamos passar o pente fino no BPC e pegar advogado e psiquiatra usando laudo falso.”
Ver 2026-05-09 - Letícia Sabatella autista e 2026-05-10 - Renan é autista Por que razão ele foi cancelado.
Homeschooling: regulamentação e punição a juízes ideológicos (maio de 2026)
Em 20 de maio de 2026, Renan toma posição clara sobre o homeschooling a partir de um caso concreto: um juiz (Júnior da Luz Miranda) que em maio de 2025 soltou um homem que tentara matar três pessoas (3 anos e 7 meses em regime aberto) e em abril de 2026 condenou uma mãe que praticava homeschooling — alegando que as crianças não tinham acesso a funk e sertanejo.
Renan distingue: não defende o homeschooling como solução geral para a educação, mas como ferramenta legítima para famílias que possam oferecê-lo. O Estado deve avaliar apenas os resultados finais via provas — não o método. Sobre o projeto parado no Senado há quatro anos: critica a direita por usá-lo para gerar engajamento sem nunca pautar o voto.
“A esquerda não quer que isso passe, porque eles querem ter um controle integral da formação humana de todos os brasileiros.”
Propõe também punições para juízes que extrapolam a atuação para transformar sentença em ato ideológico.
Ver 2026-05-20 - Condenados por homeschooling.
Fontes
- 2026-05-20 - Condenados por homeschooling — homeschooling; juiz ideológico; punições
- 2026-05-09 - Letícia Sabatella autista
- 2026-05-10 - Renan é autista Por que razão ele foi cancelado
- 2025-10-02 - Você também é a favor de escolas militares — escolas militares; método fônico; FGV 2007 ausência paterna e crime
- 2026-03-11 - 7 propostas para a educação — enunciação completa das 7 propostas
- 2026-01-27 - TRANS APROVADA EM CONCURSO ESTAVA NA POSIÇÃO 1243 — abolição de todas as cotas; Duda Odara