Ambição Nacional e Soberania Tecnológica

Tema recorrente na retórica de Renan Santos: o Brasil teria tamanho e capacidade para se posicionar no “grande jogo da engenharia mundial”, mas seria sabotado por uma mentalidade coletiva de autodepreciação. Sua formulação mais repetida é “nós nos odiamos tanto aqui no Brasil e achamos que somos tão ruins que nem conseguimos sonhar”.

Terras raras: construir a cadeia no Brasil, não exportar matéria-prima (maio de 2026)

Em 21 e 23 de maio de 2026, na Marcha dos Prefeitos e na Sabatina Esfera, Renan detalha sua proposta para terras raras. O Brasil tem 20% das reservas mundiais mas praticamente nenhum controle sobre processamento. A proposta é um marco regulatório que obrigue a construção da cadeia produtiva no Brasil — do mineral ao ímã, passando pela bateria para automóveis elétricos. Parcerias com EUA, Taiwan e Japão para transferência de tecnologia — mas sem exportar matéria-prima bruta: “Vamos produzir a turbina do avião deles aqui.”

Cita o projeto MAGBRAS como iniciativa pioneira nacional de processamento. Menciona que o F-35 americano usa meia tonelada de terra rara por unidade: “Não existe Estados Unidos poderoso sem a terra rara que tem no Brasil — e eu não vou dar de graça.”

Alerta que a revolução da IA vai eliminar boa parte dos empregos — e que o antídoto é usar as terras raras e a energia renovável do Norte/Nordeste para criar data centers e cadeias de alto valor. Propõe data centers no Nordeste aproveitando energia renovável e a proximidade com o cabeamento atlântico que conecta às Américas, à Europa e à Ásia.

Ver 2026-05-21 - RENAN AO VIVO - MARCHA DOS PREFEITOS EM BRASÍLIA e 2026-05-23 - RENAN AO VIVO - SABATINA ESFERA - 23-05-2026.

Milei na forma, Bukele no conteúdo: Brasil como potência regional (maio de 2026)

Em 23 de maio de 2026, ao responder à caracterização de uma emissora, Renan abraça a comparação: Milei na forma (reformismo impopular, sinceridade política, comunicação direta), Bukele no conteúdo (lei e ordem, modernização tecnológica da saúde, diplomacia pragmática). Destaca que Bukele negociou usar o sistema prisional para receber detentos americanos e trouxe investimento chinês para biblioteca de ponta — “não é só bom na parte de segurança, espera ver a parte de saúde dele.”

Meta ampliada: o Brasil deve ser uma das cinco maiores nações do mundo em 30 anos. Num passo além, Kim Kataguiri, presente no evento de Brasília, sugere ambição ainda maior.

Ver 2026-05-23 - Milei na forma e Bukele no conteúdo.

Sete propostas para tecnologia e empreendedorismo (março de 2026)

Em 20 de março de 2026, Renan apresenta sete medidas inspiradas em modelos internacionais para transformar o Brasil em polo de tecnologia:

  1. Simples Tech (modelo estoniano) — regime em que o dinheiro reinvestido na própria empresa não é tributado
  2. Stock options sem tributação (modelo americano) — remuneração parcial em ações não tributada, incentivando funcionários a investir no crescimento da empresa
  3. 1% dos fundos de pensão públicos em venture capital (modelo francês — TIB) — capital para jovens startups com baixo risco para pensionistas
  4. Matching de investimento estrangeiro (modelo israelense) — fundo estatal replica cada investimento estrangeiro em empresa de tecnologia nacional
  5. Caça a talentos do Enem (inspirado no Thiel Fellowship) — fundo público-privado que identifica os melhores alunos, investe em suas ideias e os conecta com grandes empresários
  6. Isenção de ganho de capital em ações de empresas com mais de 5 anos de bolsa (modelo inglês) — direciona grandes investidores para empresas novas e inovadoras
  7. Visto para nômades digitais e empreendedores estrangeiros — elimina exigência de reciprocidade diplomática para atrair quem queira abrir empresa e contratar brasileiros

Ver 2026-03-20 - 7 PROPOSTAS PARA A TECNOLOGIA.

A falta de imaginação como adversário principal (abril de 2026)

Em 21 de abril de 2026, Renan define o maior adversário da sua candidatura não como Flávio Bolsonaro ou Lula, mas como a falta de imaginação do brasileiro.

“Nós não conseguimos mais imaginar um país que não tem a favela. Nós não conseguimos imaginar que a gente pode ser uma das cinco nações mais importantes do mundo, que é o que a gente nasceu para ser. A gente perdeu toda a ambição.”

O exemplo concreto da escala da perda de ambição: “A gente comemora quando sai uma ferrovia. Ferrovia é uma tecnologia do século XIX. O mundo tá indo pro espaço.”

Lula e Flávio são classificados como parte do mesmo “arranjo fracassado, sem imaginação no Brasil diferente” — Lula “fica nos anos 60-70” falando em ditadura; Flávio repete os mesmos “chavões”. Renan afirma querer “viver nos anos 2020, 2030.”

Ver 2026-04-21 - Nosso maior adversário é a falta de imaginação..

Conjuração Mineira: os “founding fathers” brasileiros (abril de 2026)

Em 21 de abril de 2026 (Dia de Tiradentes), Renan resgata a Conjuração Mineira como o primeiro projeto sério de uma república brasileira com ideais iluministas — muito além da questão dos impostos.

As lideranças da Conjuração estudaram em Coimbra, tinham textos elaborados e propunham a criação de uma república em São João del-Rei com:

  • Princípios republicanos de independência
  • Manufatura local e processo de industrialização
  • Identidade nacional própria

“Se os ideais da Conjuração Mineira tivessem vencido, teria sido erguida em Minas Gerais uma espécie de República moderna aos moldes americanos.”

Renan conecta isso ao seu projeto: como presidente, resgatará “toda a história do Brasil e todos os seus símbolos, os Bandeirantes, Zumbi dos Palmares, a turma da Conjuração Mineira.” O resgate histórico serve como antídoto ao “papo de bostil” que afirma que o Brasil não presta.

Ver 2026-04-21 - Minas Gerais país independente.

Venda da mina Serra Verde: o Brasil como colônia (abril de 2026)

Em 20 de abril de 2026, Renan critica a venda da mina Serra Verde (Goiás) por US$ 2,8 bilhões para empresa norte-americana. O problema não é o investimento: é que a argila com terras raras é exportada bruta para ser processada nos EUA e no Reino Unido, onde é transformada em ímãs usados em:

  • Motores de carros elétricos
  • Circuitos de mísseis bélicos
  • Supercomputadores
  • Drones

O Brasil fica apenas com o valor da extração — “só como bobo que vendeu seus recursos naturais” — enquanto a cadeia de alto valor agregado e os empregos de alta qualificação ficam no exterior.

Ironiza: Lula fala em soberania enquanto isso acontece; Flávio Bolsonaro anuncia as rare earth elements como conquista nos EUA.

Proposta: obrigar que as empresas que produzem ímãs, motores especiais, semicondutores e indústria bélica instalem-se no Brasil como condição para a venda dos recursos.

Ver 2026-04-20 - O Brasil acaba de vender uma mina de terras raras!.

Defesa aérea e indústria bélica: proposta urgente ante a nova geopolítica (abril de 2026)

Em 27 de abril de 2026, Renan articula a necessidade de uma política de defesa para o Brasil diante do mundo que vem. Argumentos:

  • O Brasil não tem defesa aérea — “qual a sua visão sobre um projeto de defesa para o Brasil diante desse mundo de guerra fria que está ficando cada vez mais quente?”
  • Técnicas de guerra cibernéticas, drones e estratégias diversas que o Brasil “nem sequer possui ferramentas para iniciar”
  • O território brasileiro é cobiçado — terras raras, recursos naturais, água, solo fértil. China tentou ocupação geopolítica na América Latina; EUA enxerga o Brasil como “reserva estratégica”

Proposta concreta: usar as terras raras como moeda de negociação geopolítica — não apenas para exportá-las, mas para obter transferência de tecnologia bélica em troca:

“Negociar com os EUA ou com a China, quem for, não só a produção das terras raras e a exportação delas, mas trazer a indústria de semicondutores, trazer a indústria bélica, fazer acordos de transferência de tecnologia e aí começar a construir uma indústria de defesa de alta capacidade.”

Critica os dois principais candidatos: “Um só fala em soltar o pai e outro fala em pé de meia” — nenhum debate defesa nacional.

Ver 2026-04-27 - Nenhum outro pré-candidato fala isso.

Terras raras e disprósio: subir na cadeia ou continuar como colônia (maio de 2026)

Em 2 de maio de 2026, Renan denuncia a exportação quase bruta de disprósio (terra rara usada em baterias de carros elétricos e ímãs industriais) do Brasil para os EUA, por empresa americana com participação estatal, a ser refinado e transformado em produtos de alto valor agregado fora do país.

Contextualiza com a geopolítica americana: Trump estatizou 10% de empresa de terras raras dos EUA para que atue geopoliticamente como instrumento de coleta de minérios em outros países. O Brasil, enquanto isso, repete o padrão histórico: exporta matéria-prima (borracha, diamante, ouro, agora disprósio), fica com o oligarca político, e não sobe na cadeia produtiva.

Denuncia que lobby no Congresso retirou de projeto de lei sobre terras raras dois pontos essenciais:

  • Obrigatoriedade de transferência de tecnologia para o Brasil.
  • Percentual de reinvestimento em pesquisa e desenvolvimento.

Proposta de Renan: reforma de competitividade + empresas mistas (brasileiros + estrangeiros) para produzir não apenas a terra rara, mas os produtos correlatos: drones, equipamentos laser de precisão, semicondutores, motores de carros elétricos. Referência explícita ao modelo chinês — que tem terras raras e indústria automobilística e bélica.

“Quem faz isso é a China. Ela tem as terras raras e ela tem indústria automobilística e bélica. A China é um dos países que mais cresce no mundo e que menos depende dos Estados Unidos.”

Ver 2026-05-02 - Tão roubando o seu disprósio!.

O “vale do silício brasileiro”

No vídeo 2026-04-03 - Sim, uma equipe de F1 com a Embraer e a WEG, Renan apresenta a proposta de uma equipe brasileira de Fórmula 1 como prova simbólica dessa ambição. A equipe combinaria:

  • Embraer — aerodinâmica.
  • WEG — motores elétricos.

O projeto seria sediado no Vale do Paraíba, onde estão o ITA, o IME e a Embraer, e que Renan chama de “nosso Vale do Silício”. Ali também instalaria indústria de drones, bélica, startups e “engenharia fina”. Cita o precedente da Copersucar Fittipaldi, que em 1978 chegou a ter mais pontos que a Ferrari, e a aprovação pública de Lucas di Grassi à ideia.

Fecha com uma sequência de ambições que serve como credo:

“Chegou a hora de sonhar em ter equipe de Fórmula 1. Chegou a hora de sonhar em mandar homem pra Lua. Chegou a hora de sonhar em ter bomba atômica. Chegou a hora de sonhar em ter energia nuclear. Chegou a hora de sermos um país grande, que é o que nascemos para ser.”

Terras raras e a lógica de soberania

No vídeo 2026-03-31 - O PT começou a atacar o Flávio Bolsonaro, Renan aplica a mesma ideia à política externa. Diagnostica um erro simétrico: Lula negociava terras raras com os EUA; Flávio faz o mesmo no CPAC (“Brazil is the solution”) — e nenhum dos dois coloca o Brasil como protagonista.

Sua proposta:

  • Se os EUA quiserem acesso às terras raras, precisam instalar empresas no Brasil com sócios brasileiros, compartilhar tecnologia e trazer toda a cadeia produtiva para cá.
  • Construir a ferrovia bioceânica ligando a Bahia ao Peru (passando por Mato Grosso, Acre e Goiás) — aceitando dinheiro tanto da China quanto dos EUA para financiá-la.
  • Negociar com os dois lados sem submissão, “até porque o Brasil não está em condição de brigar com ninguém”.

Contraste explícito com a direita tradicional

A tese articula-se com Crítica à Direita Tradicional: Renan acusa Flávio Bolsonaro de submissão a Trump e Lula de submissão a Xi Jinping, apresentando sua posição como uma terceira via “que coloca o Brasil na frente”.

Nordeste como hub de energia e data centers

Em 4 de março de 2026, Renan apresenta o Nordeste como potência energética em ascensão: concentra 92% da geração eólica do Brasil, com solar crescendo 28% ao ano. Um estudo aponta a região como a de maior potencial de energia renovável do mundo. A OpenAI investiu US$ 25 bilhões em um superdatacentro na Argentina — Renan não quer o Brasil ficar atrás.

Suas três medidas para o Nordeste:

  1. Marco nacional do data center — atrair Google, Oracle, OpenAI para o Brasil.
  2. Zonas econômicas especiais — ecossistema de startups e tecnologia no Nordeste.
  3. Infraestrutura de baterias — distribuição inteligente da energia gerada.

Visão: paulistas, catarinenses, americanos, alemães e chineses se mudariam para o Nordeste para produzir tecnologia. Ver 2026-03-04 - Eu vou transformar o Nordeste na Arábia Saudita.

Campinas como Vale do Silício desperdiçado

Em 4 de março de 2026, Renan usa Campinas (SP) como exemplo de potencial destruído por corrupção: a cidade tem universidades de ponta, empresas de tecnologia, capital humano de qualidade — teria tudo para ser o Vale do Silício brasileiro. Mas superfaturamento em livros, presidente da Câmara confesso de propina, favela Campo Belo controlada pelo tráfico e reajustes salariais de 59-77% para políticos empurram a cidade para a decadência.

Proposta: reindustrialização com foco em tecnologia, com classe política voltada a atrair capital humano qualificado. Ver 2026-03-04 - Campinas deveria ser o Vale do Silício brasileiro.

A taxação de GPU/CPU como sabotagem à IA

Em fevereiro de 2026, Renan articula a taxação de CPU e GPU por Haddad como o avesso exato da ambição tecnológica que defende. Enquanto a Argentina de Milei atraiu US$ 25 bilhões em investimento do Stargate (superdatacentro da OpenAI) com isenção de impostos, o Brasil duplicou as alíquotas de componentes de IA. Um data center do TikTok que poderia gerar dezenas de milhares de empregos no Nordeste perde viabilidade.

A formulação que conecta ao tema maior:

“A gente zombava os argentinos, agora eles estão dando um baile na gente.”

Renan propõe revogar todas as taxações de Haddad na primeira semana de governo — diretamente ligado à agenda de atrair investimento em tecnologia. Ver 2026-02-27 - EU VOU REVOGAR TODAS AS TAXAÇÕES DO HADDAD.

A patente perdida da UFRJ (fevereiro de 2026)

Em 21 de fevereiro de 2026, Renan traz o caso de um remédio capaz de fazer tetraplégicos voltarem a andar, desenvolvido por uma pesquisadora brasileira na UFRJ — uma universidade pública. O Brasil não tinha dinheiro para registrar a patente internacional, e a descoberta ficou disponível para qualquer concorrente global explorar.

Renan isenta individualmente os governos Temer, Dilma, Lula e Bolsonaro e aponta o problema estrutural:

  • As universidades públicas brasileiras investem muito em custeio e pouco em pesquisa aplicada.
  • Institutos de pesquisa são resistentes a parcerias com o setor privado por razões ideológicas.
  • Resultado: capital privado não entra, inovação fica sem comercialização, o Brasil não captura o valor que produz.

“Eu não sou um liberal bobo. Acredito em pesquisa pública. O problema é a falta de articulação entre universidade e setor privado.”

Como modelo de sucesso, cita o Porto Digital do Recife: parceria entre universidade, prefeitura e setor privado que transformou um bairro inteiro, gerou centenas de startups e fatura bilhões. Proposta: replicar esse modelo nas áreas de biotecnologia e farmacêutica.

Ver 2026-02-21 - DE QUEM É A CULPA DO BRASIL TER PERDIDO ESSA PATENTE.

Ministério do Futuro: automação como oportunidade (fevereiro de 2026)

Em 8 de fevereiro de 2026, a partir de imagens de entregadores robôs autônomos, Renan lança a proposta do Ministério do Futuro. O órgão teria três funções: trazer novas tecnologias para o Brasil, treinar trabalhadores para os setores emergentes e criar oportunidades para quem hoje trabalha em empregos ameaçados pela automação.

“Se a gente souber como usar essas tecnologias a seu favor, você não vai ter medo de que daqui 5 anos não vai ter emprego — você vai saber que tem muitas oportunidades para ganhar muito dinheiro.”

Crítica ao debate político brasileiro: discutir escala 6x1 “desenhada nos anos 40” enquanto o mundo avança com foguetes, carros autônomos e fábricas robotizadas. Ver 2026-02-08 - PRECISAMOS NOS PREPARAR PARA UM FUTURO GLORIOSO.

Super Bowl, China e a autoestima nacional (fevereiro de 2026)

Em 10 de fevereiro de 2026, usando o caso do Bad Bunny como ponto de partida, Renan articula o tema da autoestima nacional:

“O Brasil que eu defendo é um Brasil que quando vir grandes eventos vai mostrar ao mundo: produz avião, produz tecnologia, vai se livrar das favelas, terá cidades habitáveis.”

Compara a abertura das Olimpíadas na China — “orgulho do que está fazendo agora” — com a abertura no Brasil, que mostrou “favela, pobreza, somos um povo brejeiro que consegue ser feliz na adversidade.” A imagem de dançarinos com cana-de-açúcar é sintoma de um problema maior de representação nacional.

Ver 2026-02-10 - BAD BUNNY FAZ ATO POLÍTICO NO SUPER BOWL E IRRITA DONALD TRUMP.

Fontes