Fusão de Municípios
Renan Santos defende a fusão de municípios pequenos em “macromunicípios” como forma de tornar cidades do interior brasileiro viáveis administrativamente.
”Roubo federativo”: o pacto que só beneficia políticos (abril de 2026)
Em 23 de abril de 2026, Renan formula sua crítica mais direta ao pacto federativo: chama-o de “roubo federativo” — um sistema que retira dinheiro de quem trabalha nas regiões produtivas e o entrega a políticos corruptos do Norte e Nordeste, sem retorno em qualidade de vida para a população.
A comparação SC x MA (abr/24) demonstra o paradoxo: Santo Antônio dos Lopes (MA) tem PIB per capita cinco vezes maior que São Miguel do Oeste (SC) — por causa dos repasses federais — mas IDH 0,565 vs. 0,801, com 90% da população no Bolsa Família.
O mecanismo correto: fusão de municípios + lei de responsabilidade gerencial + fundo partidário e eleitoral condicionado ao desempenho dos prefeitos. Quando o desempenho dos prefeitos define os recursos do partido, até partidos oligárquicos buscam candidatos tecnicamente competentes — porque a sobrevivência financeira do partido depende dos resultados entregues.
Ver 2026-04-23 - Não sobra NADA… e 2026-04-24 - Santa Catarina x Maranhão - o duelo final!.
Guaraciaba (SC): 14 anos esperando uma obra do PAC 1 (abril de 2026)
Em 23 de abril de 2026, Renan visita Guaraciaba (SC), no Oeste Catarinense — região com IDH 0,7-0,8 (nível europeu) e alta produtividade — para mostrar uma obra de pavimentação iniciada no PAC 1 da Dilma em 2012 ainda não concluída em 2026.
O argumento: Santa Catarina é doador líquido no pacto federativo; o dinheiro vai para estados governados pelo PT; SC “não traz retorno pro governo”, fica no fim da fila. O atraso obrigou o prefeito a improvisar caminho alternativo com trator para que os carros circulassem.
Proposta: municípios e estados pouco produtivos passam a ter índices de desempenho obrigatórios — incluindo arrecadação via atividade econômica real. Assim, o dinheiro de SC fica em SC.
Ver 2026-04-23 - Catarinense, está na hora de você ter o que você merece.
Diagnóstico
Usando o caso de Marajá do Sena (MA), apresentada como a cidade de menor IDH do Brasil (0,4), Renan argumenta que muitas cidades pequenas não têm escala econômica para sustentar uma estrutura própria de prefeitura, câmara, secretarias e orçamento. Mais de 60% da população está no Bolsa Família e praticamente não há emprego formal.
Sua tese é que essas cidades existem porque oligarquias locais brigaram com oligarquias dominantes e se emanciparam, criando novos municípios apenas para captar repasses federais — e os únicos beneficiados dessa subdivisão são as próprias oligarquias.
A proposta
- Refundir municípios pequenos em macromunicípios muito maiores.
- Cada macromunicípio teria indicadores de desempenho em educação, saúde, segurança e IDH.
- Prefeito que não bater as metas fica inelegível.
- Combinar com atuação do estado para explorar potencialidades econômicas regionais (o exemplo citado é o extrativismo do babaçu na Mata dos Cocais, com industrialização de farelo e óleo).
Caiçara do Norte e São Bento do Norte: a absurdidade a 15 minutos a pé (outubro de 2025)
Em 13 de outubro de 2025, Renan apresenta dois municípios do Rio Grande do Norte como caso emblemático da ficção do pacto federativo:
- Caiçara do Norte: 6.000 habitantes, metade sem água e sem esgoto, IDH baixo.
- São Bento do Norte: 3.000 habitantes, apenas 1.000 com água, IDH baixo.
As duas cidades estão a 15 minutos a pé uma da outra. Cada uma tem câmara de vereadores com mínimo de 9 vereadores, prefeito e orçamento próprio. O governo federal envia cerca de R$ 40 milhões para cada — financiando estruturas de administração pública para menos de 10 mil pessoas no total.
“As duas se juntar não vão dar uma cidade. A gente vai precisar fundir elas com mais umas três, quatro para transformar em município.”
Ver 2025-10-13 - PRECISAMOS FUNDIR AS CIDADES URGENTE.
São João Batista (MA): o município que escondeu uma escola-motel (outubro de 2025)
Em 1 de outubro de 2025, um escândalo em São João Batista (MA) — uma escola estadual que organizou uma festa com tema de motel — serviu para Renan apontar um problema estrutural mais profundo: o município tem apenas 11% de cobertura de água e zero saneamento básico. O prefeito local, chamado “Messinho”, é aliado político de Everton Rocha, ligado ao esquema de desvio de verbas do INSS investigado pela CPI.
Para Renan, o escândalo cultural é o sintoma; o tamanho do município e a incompetência administrativa são a causa raiz. Sem escala e sem prestação de contas, cidades do porte de São João Batista não têm capacidade nem incentivo para oferecer serviços básicos de qualidade.
Ver 2025-10-01 - Escola simula motel em São João Batista.
Outros casos usados para sustentar a proposta
- Guajará-Mirim (RO) — 39 mil habitantes, apenas 6 mil empregos, 5 mil famílias no Bolsa Família, IDH 0,6 e R$ 1 milhão gastos num show de Juliana do Bonde. Renan diz expressamente que a cidade “vai precisar ser fundida com outras”. Ver 2026-04-06 - Juliana do Bonde em Guajará-Mirim.
- Nunes Freire (MA), Gandu (BA) e um município no interior de Pernambuco — usados como exemplos de cidades pequenas dependentes de populismo alimentar, cuja única saída seria refundição em macromunicípios com metas verificáveis. Ver 2026-04-06 - Quem quer peixe.
Taubaté x 4 cidades do Tocantins: o custo do pacto federativo
Em março de 2026, Renan usou uma comparação direta para ilustrar a distorção do sistema municipal. Quatro cidades do Tocantins (São Sebastião, São Bento Tocantins, Cachoeirinha e Luzinópolis) têm a mesma área geográfica que Taubaté (SP), mas custos e escala incomparáveis:
| Indicador | 4 cidades do TO | Taubaté (SP) |
|---|---|---|
| Habitantes | ~15 mil | ~320 mil |
| Prefeitos + vices | 8 | 2 |
| Vereadores | 36 | 19 |
| PIB | ~R$ 250 milhões | ~R$ 20 bilhões |
| Custo/vereador por habitante | ~R$ 100/ano | ~R$ 1,80/ano |
O voto de um habitante de Taubaté vale politicamente menos que o de um morador dessas cidades tocantinenses, o que faz com que os políticos do interior do Tocantins “tirem mais dinheiro de Taubaté e mandem para esses prefeitos”. Resultado: custo elevado para todos e representação distorcida.
Proposta aplicada ao caso: fundir os quatro municípios em um único, com metas obrigatórias de desempenho em saúde, educação e segurança para o prefeito eleito.
Ver 2026-03-20 - Taubaté x 4 cidades do Tocantins.
Itauau (PA): o caso extremo
Em 23 de fevereiro de 2026, Renan apresenta Itauau (Pará) como exemplo de município que “não deveria existir”: 93% dos habitantes no Bolsa Família, apenas 29 empregos formais, orçamento de R$ 20 milhões dos quais apenas R$ 800 mil foram arrecadados localmente. Todo o resto (R$ 19,2 milhões) vem de repasses federais e emendas. A classe política local “ganha acima da média nacional” sem qualquer contrapartida em IDH.
Cita 2.700 cidades no Brasil com perfil similar, cujo principal “negócio” é a administração pública financiada por quem produz em outros lugares.
Ver 2026-02-23 - ESSA CIDADE PRATICAMENTE SÓ TEM PESSOAS NO BOLSA FAMÍLIA.
O interventor como mecanismo democrático
Em 20 de fevereiro de 2026, em entrevista sobre democracia e indicadores, Renan defende explicitamente que “a voz do povo não é a voz de Deus”: se o povo reelege um prefeito que não cumpriu indicadores básicos de esgoto, saúde e educação, a resposta correta é colocar um interventor — não respeitar a reeleição. O voto legítimo depende de um sistema de incentivos corretos, e enquanto o sistema não for reformado, o voto comprável não pode ser a última palavra.
Ver 2026-02-20 - A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS.
Fontes
- 2025-10-01 - Escola simula motel em São João Batista — São João Batista (MA); 11% água; zero saneamento; prefeito aliado de investigado no INSS
- 2025-10-13 - PRECISAMOS FUNDIR AS CIDADES URGENTE
- 2026-03-20 - Taubaté x 4 cidades do Tocantins
- 2026-04-11 - EU FUI NA CIDADE MAIS POBRE DO BRASIL
- 2026-04-06 - Juliana do Bonde em Guajará-Mirim
- 2026-04-06 - Quem quer peixe
- 2026-02-23 - ESSA CIDADE PRATICAMENTE SÓ TEM PESSOAS NO BOLSA FAMÍLIA
- 2026-02-20 - A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS